POSSO SER DESPEJADO DURANTE A PANDEMIA?

posso ser despejado na pandemia? uma mulher sentada em volta de várias caixas de papelão


A dúvida que pairou entre locador e locatário no começo da pandemia sobre a possibilidade de poder ou não ser realizado o despejo deixou muitos proprietários e inquilinos preocupados.


Pois, de um lado tínhamos os inquilinos que muitos perderam o emprego e não conseguiram realizar o pagamento dos aluguéis e do outro lado os proprietários também dependiam da renda oriundos dos aluguéis.


No começo da pandemia a lei do Regime Jurídico Emergencial proibiu a concessão de limar para desocupação de imóveis até 30 de outubro de 2020. Também ganhou destaque o projeto de Lei 827/2020 que buscou suspender até o dia 31/12/2021 a desocupação de imóvel e a concessão de liminar em ações de despejo.


Mas, afinal de contas, como ficou decido a ordem de despejo durante a pandemia?


No dia 07 de outubro de 2021 foi promulgada a Lei 14.216 que estabeleceu as medidas EXCEPCIONAIS em razão da pandemia, para tratar dos assuntos sobre remoção e desocupação de imóveis.


E possível ser despejado durante a pandemia?


Sim, ainda é possível ser despejado durante a pandemia, seja por inadimplência ou qualquer outro descumprimento judicial. Somente em alguns casos que não será possível realizar o despejo é o que diz o texto da nova Lei que trata sobre os despejos na pandemia, vejamos:


Art. 4º Em virtude da Espin decorrente da infecção humana pelo coronavírus SARS-CoV-2, não se concederá liminar para desocupação de imóvel urbano nas ações de despejo a que se referem os incisos I, II, V, VII, VIII e IX do § 1º do art. 59 da Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991, até 31 de dezembro de 2021, desde que o locatário demonstre a ocorrência de alteração da situação econômico-financeira decorrente de medida de enfrentamento da pandemia que resulte em incapacidade de pagamento do aluguel e dos demais encargos sem prejuízo da subsistência familiar.
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo somente se aplica aos contratos cujo valor mensal do aluguel não seja superior a:
I - R$ 600,00 (seiscentos reais), em caso de locação de imóvel residencial;
II - R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais), em caso de locação de imóvel não residencial.

Portanto, está suspenso o despejo até o final do ano de 2021 para locação de imóveis comerciais de até R$1.200,00 e de imóveis residenciais o valor do aluguel até R$600,00.



Mas como ficará o aluguel em aberto?



A lei também possibilitou a negociação entre locador e locatário, vejamos:


Art. 5º Frustrada tentativa de acordo entre locador e locatário para desconto, suspensão ou adiamento, total ou parcial, do pagamento de aluguel devido desde a vigência do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, até 1 (um) ano após o seu término, relativo a contrato findado em razão de alteração econômico-financeira decorrente de demissão, de redução de carga horária ou de diminuição de remuneração que resulte em incapacidade de pagamento do aluguel e dos demais encargos sem prejuízo da subsistência familiar, será admitida a denúncia da locação pelo locatário residencial até 31 de dezembro de 2021.